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30 anos de Cavaleiros do Zodíaco: O anime que dominou o Brasil

30 anos de Cavaleiros do Zodíaco: O anime que dominou o Brasil

Criada por Masami Kurumada em 1985, o mangá com título, “Saint Seiya”, marca o início da franquia que está completando 30 anos. Aqui no Brasil foi traduzido para “Cavaleiros do Zodíaco”, e acompanha a saga de Seiya, um jovem cavaleiro que dedica a sua vida a proteger a deusa Athena.

O mangá foi muito bem recebido pelos leitores, e despertou o interesse da Toei Animation, gigante da animação no Japão. E em 1986, estreia na TV Asahi, o anime de mesmo nome, “Saint Seiya”.

Para você que é fã, ou mesmo para quem não conhece a obra de Kurunada, vamos explica a saga da vinda dos Cavaleiros de Athena até a terras tupiniquins, algumas curiosidades e mais do que tudo, prestar uma homenagem para este, que foi o percursor dos animes no nosso pais.

O mangá

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No Japão, “Saint Seiya” rendeu 28 volumes tankobon (compilados de histórias) com cerca de 200 páginas cada um. Com o passar do tempo novas recopilações foram sendo lançadas, chegando até uma edição de luxo para colecionadores chamada de Kanzenban, inclusive com algumas páginas coloridas. O mangá foi dividido em sagas, de acordo com a história:

  • Santuário
  • Blue Warriors (história solo do personagem Hyoga de Cisne)
  • Poseidon
  • Hades

Em 2002, surgiu um novo mangá: o Episódio G. Ele conta com o roteiro de Masami Kurumada, mas o traço agora é de Megumu Okada, o que despertou desinteresse de boa parte dos antigos fãs por conta do traçado diferente. Com o passar do tempo, o mangá foi evoluindo e ganhando respeito por parte da maioria dos fãs. Infelizmente ele foi interrompido, sem uma explicação oficial em 2008.

Em 2006, Kurumada surpreendeu ao anunciar o lançamento de dois novos mangás: o “Lost Canvas” e o “Next Dimension”, só que desta vez totalmente coloridos, sendo este o início da tão sonhada Saga do Céu (ou Saga de Zeus). Ambos os mangás contam a mesma história, só que sob pontos de vistas diferentes, e continuam em produção até hoje.

No Brasil Curiosamente, o mangá só foi aparecer no início do século XXI, em 2002, pelas mãos da Editora Conrad, que adquiriu os direitos para lançar o mangá. Com veiculação mensal, teve 48 edições publicadas, a editora também lançou 10 volumes do mangá “Episódio G”, mas depois que decretou falência acabou parando o lançamento no meio, faltando 7 volumes para serem lançados no Brasil.

Em 2007, a Editora JBC anunciou o lançamento do mangá “Lost Canvas” no Brasil. Com edições bimestrais, foi lançado de forma completa, incluindo os Gaidens (histórias solo dos Cavaleiros de Ouro).
“O mangá só foi lançado graças ao enorme sucesso do anime, que criou uma grande base de fãs para a série”, relembra o jornalista Cassius Medauar, que editou tanto a primeira versão do mangá, quanto a publicada anos depois pela Editora JBC.

 

O anime

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Quando estreou em 1986, “Saint Seiya” tinha 114 episódios que se dividiam em três sagas: Santuário (episódios 1–73); Asgard, criada exclusiva para o anime (episódios 74–99), e Poseidon (episódios 100–114) e durou até 1989.

Aqui no Brasil, o anime teve sua estreia em 1994, por meio da extinta TV Manchete, com exibições em dois horários, as 10h30 e as 18h30. A dublagem na ocasião ficou sob responsabilidade da Gota Magica. Como a emissora tinha adquirido apenas 52 episódios, sempre que chegava na Casa de Leão a emissora iniciava uma nova reprise.
Os episódios “inéditos” só foram ao ar em maio de 1995.
E diversas outras emissoras exibiram o anime; Cartoon Network (2004), Band (2005), Rede 21 (2005) e PlayTV (2006)

Acho interessante ressaltar a importância da dublagem feita para o anime nessas primeiras sagas, aqui no Brasil. Foi talvez esse trabalho que pode destacar a qualidade dos nossos dubladores para o resto do mundo. E não podemos esquecer as adaptações das canções de abertura e encerramento, que são simplesmente inesquecíveis.

Em dezembro 1990, saía o último capítulo do mangá “Saga de Hades”, e o anúncio de que o anime estava sendo feito e muito provavelmente estrearia em 1991. Mas só em 2002, estreia os dois primeiros episódios da “Saga de Hades” no Japão. (Até hoje não se sabe ao certo os motivos que fizeram a Toei cancelar o projeto na década de 90)

No Brasil, o lançamento aconteceu diretamente em DVD, pela PlayArt com dublagem da Álamo, em junho de 2006.

Já o anime “Lost Canvas”, estreou em junho de 2009 no Japão, e a produção ficou a cargo da TMS Entertainment. Ao todo foram produzidos apenas 26 episódios, lançados diretamente em DVD e Blu-Ray, divididos em duas temporadas com 13 episódios em cada uma. O anúncio da segunda temporada aconteceu em setembro de 2010 e estreou em fevereiro de 2011.

No Brasil, a empresa responsável pelo lançamento foi a FlashStar/FocusFilmes, com dublagem da DuBrasil, que lançou os episódios apenas em DVD. A primeira temporada saiu em dezembro de 2009 e a segunda em julho de 2013.

 

Filmes

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O sucesso de “Cavaleiros do Zodíaco” não se limitou a penas a serie da TV. Em julho de 1987, a série lançou o primeiro curta-metragem no Japão, estrelado pelos defensores de Atena. O especial foi batizado com o nome de Saint Seiya Gekijouban (adaptado no Brasil para “Saint Seiya: o Santo Guerreiro”). Detalhe que, este especial não se encaixa na cronologia do anime e nem com o mangá. No Brasil, o filme foi lançado inicialmente em junho de 1995, diretamente em VHS

Em março de 1988, a Toi lançou o segundo curta-metragem. Com o nome de Saint Seiya Kamigami no Atsuki Tatakai (adaptado no Brasil para A Grande Batalha dos Deuses) história que também está fora do cânone original. No Brasil, ele chegou junto com “Saint Seiya, o Santo Guerreiro” na década de 90. O sucesso foi gigantesco, vendendo mais de 300 mil fitas cada filme.

O primeiro longa-metragem veio em julho de 1988, no Japão. Saint Seiya: Shinku no Shonen Densetsu (adaptado inicialmente no Brasil para “Os Cavaleiros do Zodíaco: O Filme” e depois para “A Lenda dos Defensores de Atena”). Chegou aqui em julho de 1995, diretamente nos cinemas. O sucesso foi estrondoso e o filme conseguir a marca de mais de um milhão de espectadores nas duas primeiras semanas da estreia.

Março de 1989, Saishu Seisen no Senshitachi (adaptado inicialmente no Brasil para Os Cavaleiros do Zodíaco: A Batalha Final e depois para Os Guerreiros do Armagedon) veio para homenagear a série. No Brasil, o filme foi lançado, junto com a estreia de “CDZ: O Filme”, diretamente em VHS (década de 90).

Em fevereiro de 2004 chega aos cinemas japoneses o filme “Saint Seiya Tenkai-hen: Josô Overture” (adaptado no Brasil para “Prologo do céu”) foi criado logo após a Fase Santuário da Saga de Hades, para comemorar os 30 anos de carreira do criador Kurumada. Possui uma atmosfera muito mais densa e adulta, o que em um primeiro instante causou um grande impacto entre os fãs. O filme, por ser uma introdução a uma nova saga, deixou muitas coisas em aberto e muitas dúvidas, principalmente no que diz respeito ao final do filme. Vale lembrar que a ideia original da Toei Animation e do Masami Kurumada era ter feito uma trilogia, mas, por diversos motivos não muito claros, o projeto como um todo foi abandonado até o momento.

No Brasil, o filme também foi lançado nos cinemas, em novembro de 2006, marcando o retorno da série nas telonas. A bilheteria foi baixa, com pouco mais de 72 mil ingressos vendidos.

 

A lenda continua: Novas sagas e outras mídias

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Em 2012, Kurumada e a Toei Animation retomam a parceria de sucesso, e lançam “Saint Seiya Omega”, um spin-off da franquia original Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco). A serie Omega não faz parte da continuidade do mangá, mas sua história é influenciada por eventos e elementos da obra original, ou seja, a história original de anime. Kurumada não se envolveu com o processo criativo do anime, mas recebe crédito como o criador original do conceito da série. A historia acontece no futuro, 22 anos após a conclusão das guerras do século 20 narradas no mangá. Após um conflito com o deus Marte, Seiya de Sagitário e seus amigos foram impedidos de queimar seus cosmos e Athena teve de se refugiar numa ilha onde treina novos cavaleiros para derrotar Marte.

Saint Seiya Omega, teve 97 episódios lançados no Japão até 2014. A Toei Animation promoveu uma pré-estreia mundial, com a exibição do primeiro episódio em cinemas de vários países. O Brasil não ficou de fora e a cidade de São Paulo foi a escolhida para receber o evento. A primeira temporada do anime possui 51 episódios, e chegou ao Brasil em 2013.

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A última série lançada foi Saint Seiya: Soul of Gold (“Cavaleiros do zodíaco: Alma de Ouro”).O anime foi anunciada 2014, e é focado nos Cavaleiros de Ouro. Trata-se de uma história original de anime, e não uma adaptação de um dos arcos contidos no mangá de Kurumada ou outros spins-off relacionados à franquia. A estreia aconteceu em de Abril de 2015 e a exibição foi gratuita e simultânea via streaming para praticamente todos os países. Soul of Gold faz parte dos projetos que comemoram o 40° aniversário de Kurumada como mangaká.

A história se passa de forma paralela a Saga de Hades, mais especificamente após a destruição do Muro das Lamentações. Os Cavaleiros de Ouro foram levados até Asgard e é por lá que as lutas se desenrolam. Novos 7 Guerreiros Deuses surgem na história, com armaduras potencializadas pelo poder da árvore Yggdrasil, trazida de volta à Terra por Andreas Lise, o novo representante de Odin que tomou o lugar de Hilda após ela ficar doente de forma misteriosa.

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Outro projeto que comemorou o aniversário de carreira de Kurumada foi o sexto longa-metragem de Saint Seiya, Saint Seiya: Legend of Sanctuary (Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário), primeiro filme da série totalmente em CG. O filme estreou em junho de 2014 no Japão. No Brasil, o longa chegou em setembro do mesmo ano, em cerca de 300 cinemas do país, arrecadou um pouco mais de 2 milhões de dólares por aqui, 10 milhões em todo mundo.

Basicamente, o filme adapta os 73 primeiros episódios do anime (a Saga do Santuário), com pequenas alterações no roteiro e em alguns personagens. Alterações que não agradou os fãs mais antigos da série, até mesmo no Japão, mas chamou a atenção dos mais novos.

UHAAAAU!! Tentei resumir ao máximo, mas afinal, são trinta anos de história, no Brasil são 22 anos, posso dizer que cresci assistindo CDZ, assim como muitos de vocês, tenho certeza, também. É muito gratificante ver como a serie conseguiu ficar viva por tanto tempo, atravessar décadas e formar várias outras gerações depois da minha. Nós como fãs não podemos deixar que essa história acabe. Se você tem um irmão mais novo, ou filho, sóbrio ou mesmo neto, apresente CDZ para ele, faça ele sentir a mesma alegria que você sentia quando chegava as 18:30 e sentava na frente da TV. Boas histories devem ser contadas, e compartilhadas, Masami Kurumada contou uma a 30 anos atrás.

Doug_sky
Me procurem

Doug_sky

Cinéfilo, Fã de ficção cientifica,Seriados, colecionador de filmes, hqs e livros. Adoro cultura pop dos anos 90.
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